Os desafios do mercado de trabalho para a mulher engenheira, preconceitos, discriminação, violência, assédio moral e sexual e as garantias que a lei oferece.


O ramo das Engenharias foi, por muito tempo, visto como uma área predominantemente masculina. Na virada do século XXI, a presença das mulheres na construção civil estava mais associada aos espaços de limpeza após a conclusão das obras. Porém, com o acesso a informação e uma maior facilidade em pesquisar sobre os inúmeros campos de formação e especialização em engenharia, o público feminino vem, gradativamente, ocupando seu espaço e se firmando como excelentes profissionais.
De acordo dados do CREA-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Paraná), houve um acréscimo no número de mulheres engenheiras entre os anos de 2011 a 2017, que foi de 8413 para 11405 engenheiras formadas, um aumento de 35%. Porém, o número masculino ainda se mostra muito na frente, já que, em 2017, eram quase 80 mil engenheiros homens registrados no Crea, que equivale a 87,5% de todo o mercado. Mas apesar de cada ano mais mulheres ingressarem nos cursos de Engenharia, ainda há limitações, pois se percebe que ainda há muitos desafios a serem encarados pelo grupo feminino nessa área, como diferenças de salários e posições de trabalho.

Um dos problemas visto pelas profissionais engenheiras é a falta de flexibilidade nos ramos de atuação profissional. Por conta de elas serem responsável por multitarefas, quando como trabalham e são mães, elas acabam migrando mais para a área acadêmica, por conseguirem com uma maior facilidade conciliar a vida profissional com a pessoal.
A falta de estrutura também é uma forma de preconceito evidenciada, já que a maioria dos espaços foi projetada por homens e para homens, e a mulher às vezes demanda de algumas necessidades para se sentir mais confortável e puder ser mais efetiva em sua função. Um exemplo disso é nos casos em que a mulher está no período de amamentação dos filhos, e os locais de trabalhos, quase sempre, não tem um espaço apropriado para tal.
Outra evidência do preconceito contra as mulheres, não só nessa área, como na maioria, é a desigualdade salarial vista entre homens e mulheres. O profissional de engenharia tem o piso salarial estabelecido por lei federal (4.950-A/66) e fiscalizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) com amparo dos sindicatos da categoria. De acordo a Lei nº 4.950-A, de 22 de abril de 1966. Resolução nº 397, de 11 de agosto de 1995, se o profissional trabalhar 6 horas diárias, ganhará 6 salários mínimos, 7 horas o equivalente a 7,25 salários mínimos e 8 horas diárias 8,5 salários, porém se sabe que nem sempre o empregador cumpre o que está disposto em lei. Embora a legislação brasileira, em seu artigo 7º, inciso XXX da Constituição Federal de 1988, proíba a diferença de salários e a discriminação trabalhista relacionada ao sexo, idade, cor ou estado civil, quando se observa os gráficos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), percebe-se que a média salarial  das engenheiras, no Brasil, é 14% menor que a dos homens. Como exemplo da disparidade salarial, em áreas como consultoria, o percentual dessa diferença consegue ultrapassar 60%.
A engenheira e professora do curso de Engenharia Civil, Endriana Kischner, destaca que nunca recebeu tratamento diferenciado ou sofreu algum tipo de preconceito nas empresas em que atuou por ser mulher, mas tem conhecimento de que algumas colegas de profissão passaram por isso. "Algumas empresas pensam que as mulheres servem mais para trabalhar no escritório, com projetos, e que teriam mais dificuldade na execução de obras", afirma.
Contudo, os incentivos do governo, com implementações de leis e programas de formação profissional, ajudam com que o cenário mude em favor da igualdade entre sexos. Exemplo disso, no Brasil, em 2013, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou um projeto que altera a Lei de Licitações, para exigir que obras e serviços contratados pelo governo tenham um percentual mínimo de 12% de mão de obra feminina.

COMO ANDA O MERCADO DE ENGENHARIA PARA AS MULHERES? Disponível em: <http://vilamulher.uol.com.br/dinheiro/carreira/como-anda-o-mercado-de-engenharia-para-as-mulheres-6638.html>. Acesso em: 22 jan. 2018.
Mulheres na engenharia: conquistas e desafios. Disponível em: <http://abes-sp.org.br/noticias/19-noticias-abes/6700-mulheres-na-engenharia-conquistas-e-desafios>. Acesso em: 22 jan. 2018.
Saiba como as mulheres conquistaram a engenharia. Disponível em: <https://blogdaengenharia.com/saiba-como-as-mulheres-conquistaram-a-engenharia/>.
Salário de um Engenheiro. Disponível em: <http://www.mulheresnaengenharia.com/2016/07/salario-de-um-engenheiro.html>. Acesso em: 22 jan. 2018.
Reportagem especial mostra a inserção das mulheres na engenharia civil. Disponível em: <https://www.unochapeco.edu.br/noticias/reportagem-especial-mostra-a-insercao-das-mulheres-na-engenharia-civil>. Acesso em: 22 jan. 2018.
Cresce a participação das mulheres na engenharia. Disponível em: <http://www.crea-pr.org.br/ws/arquivos/12161>. Acesso em: 22 jan. 2018.




Comentários